terça-feira, 26 de agosto de 2014

O primeiro contato com o Ford Ka 2015


Mesmo para quem está cercado de modelos novos (é o caso dos funcionários das concessionárias, que no último sábado o conheciam ao vivo), a nova geração do Ford Ka surpreende: o compacto em nada lembra o homônimo vendido no Brasil desde 1997, que passou por reformulação em 2007. Se o antigo Ka sempre teve duas portas, este vem com quatro, em uma carroceria mais encorpada, que chama Hyundai HB20 e Chevrolet Onix para uma briga bastante competitiva.



Seu estilo já era conhecido por imagens reveladas pela Ford em novembro de 2013, quando foi apresentado o carro-conceito - as modificações mais significativas ocorreram nos faróis, grade superior e rodas. Faróis e lanternas que se prolongam em direção às laterais são elementos marcantes, assim como a grade com abertura hexagonais. O formato dos vidros e os vincos da carroceria dão ar contemporâneo ao Ka. Já a traseira lembra um pouco a do Onix, pela posição da placa, estilo das janelas e disposição das lanternas. Nesta versão, há tampas pretas no lugar dos faróis de neblina, uma prolongada antena de teto, calotas aro 14'' e ausência de luzes de seta nas laterais. Na tampa traseira, o visual é limpo: traz apenas os logotipos "Ka" e "Ford", sem maçaneta ou fechadura.


Por dentro, muitos elementos foram trazidos do atual Fiesta, como o volante (que inclui comandos de rádio nesta versão), a alavanca de câmbio e o sistema de som. Seu pequeno quadro de instrumentos traz marcador analógico de combustível (do tamanho do conta-giros!), aviso luminoso de porta aberta e hodômetro digital. A regulagem de altura do volante facilita a tarefa de achar uma boa posição para dirigir. E mesmo com o banco ajustado para mim (com mais de 1,80 metro de altura), sentei com folga no banco de trás, com o recuo dos assentos (que contam com porta-revistas) e o bom espaço para cabeça, com o banco traseiro (inteiriço) em posição mais baixa.


A versão SE Plus vem com airbag duplo, abertura elétrica do porta-malas (na chave, tipo canivete, ou no botão à direita do seletor dos faróis), ar-condicionado, direção elétrica, luz indicadora de troca de marcha no quadro de instrumentos, vidros elétricos nas quatro portas (sendo o motorista com função um-toque para subir ou descer), travas elétricas, limpador e desembaçador traseiro, palhetas "flat-blade", quatro tapetes, abertura interna da tampa do tanque de combustível, freios ABS com distribuição eletrônica da frenagem e controle de frenagem em curvas, ajustes de altura dos cintos dianteiros e pneus "verdes" 175/65. O ajuste elétrico dos retrovisores, contudo, ficou de fora.


Enquanto concorrentes como Sandero e Onix oferecem centrais multimídia com tela sensível ao toque de sete polegadas, o Ka contra-ataca com o SYNC, operado por botões ou por voz. Sua tela monocromática de 3,5 polegadas traz iluminação azul. O sistema traz rádio, CD Player, MP3, entradas USB e auxiliar, conectividade com aplicativos para smartphones Android ou iOS (Glympse, que utiliza a localização do carro para postá-la a amigos nas redes sociais; Let's Park, que encontra preços e localizações de estacionamentos, e 89FM, que permite interação e acesso à programação da emissora A Rádio Rock), além de Bluetooth para reprodução de músicas e chamadas telefônicas. O microfone localizado próximo à luz de teto capta os comandos: para ligar, basta dizer "Ligar Para", depois dizer o nome da pessoa e a linha, caso o contato possua mais de um número. A partir desta versão, outro recurso bastante interessante está presente como opcional: o Assistente de Segurança, acionado após a deflagração dos airbags ou o corte de combustível (situações que indicam um acidente mais sério), realizando automaticamente uma chamada para 192, o número do SAMU. As coordenadas geográficas do veículo são transmitidas na mensagem eletrônica introdutória, e o microfone logo depois é ativado para os ocupantes se comunicarem com os paramédicos.


Há ainda vários porta-objetos: entre os bancos, quatro porta-copos; nas portas dianteiras, um porta-garrafas de 1 litro, outro de 600 ml e ainda um porta guarda-chuva; os passageiros laterais traseiros contam com pequenos porta-trecos; há um curioso porta-objetos na lateral do painel, cujo acesso só ocorre com a porta do motorista aberta. E, logo abaixo dos comandos do ar-condicionado, um nicho adequado a um smartphone. Ambos os para-sóis trazem espelhos; a tampa do porta-luvas não fechava muito bem nesta unidade.


Seu porta-malas oferece a razoável capacidade de 257 litros, trazendo um recuo interno para facilitar o fechamento da tampa.


Por baixo do capô está o novo motor 1.0 TiVCT de três cilindros, com Flex Start (dispensa reservatório de partida a frio), correia dentada imersa em óleo com durabilidade de 240 000 quilômetros, duplo comando e variação de admissão e escapamento, cabeçote de alumínio, bloco de ferro fundido e revisões programadas a cada 12 meses. Sua potência é de 80 cavalos com gasolina e 85 cv com etanol; o torque é de 9,7/10,4 kgfm (com gasolina/etanol, nesta ordem).

Os dados de consumo de combustível do Inmetro o fizeram atingir a classificação "A" entre os compactos: 8,9 km/l com etanol e 13,0 km/l com gasolina na cidade; na estrada, faz 10,4 km/l com etanol e 15,1 km/l com gasolina.


O câmbio manual de cinco marchas oferece engates precisos e os pedais tem curso adequado. Atrás, o ocupante do meio conta apenas com o cinto subabdominal.

A expectativa é de que o Ka+ chegue em outubro, assim como o hatch com motor 1.5. Dependendo da cor desejada, a espera pelo carro chega a 10 dias. Hoje iniciaram os test-drives em Teresina (PI). O preço cobrado (R$ 37 390) é exatamente o mesmo do site da Ford, sem acréscimos referentes a frete ou ICMS. Certamente causará uma grande dor-de-cabeça aos concorrentes...




Chevrolet apresenta Niva Concept no Salão de Moscou


Na Rússia, a Chevrolet apresenta o carro-conceito que dará origem à nova geração do utilitário Niva (produzido em joint-venture com a AvtoVAZ, daí o nome igual ao jipe da Lada vendido no Brasil na primeira metade dos anos 1990). O atual modelo recebeu leve redesenho em 2009 e a próxima geração deverá começar a ser produzida em 2016, sem tantos apetrechos off-road como este conceito, mas trazendo tração 4×4 permanente e carroceria mais agressiva, significativamente maior (com 4,32 metros de comprimento, 26 centímetros a mais). Sua apresentação ocorre no Salão de Moscou, que inicia amanhã (27).



segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Impressões ao dirigir: Ford Fiesta Powershift

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No universo dos carros compactos, o Fiesta PowerShift se sobressai com seu câmbio automatizado de dupla embreagem, enquanto modelos de outras marcas oferecem transmissões automatizadas simples ou automáticas com conversor de torque. Mesmo partindo de elevados R$ 53.890, o Fiesta SE PowerShift é o carro mais barato do mercado equipado com esse sofisticado tipo de câmbio. Levamos o compacto premium que é frequentemente chamado de “automático”, inclusive pela própria Ford, para uma avaliação em trechos urbanos e rodoviários.

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A primeira coisa que salta à vista é o design agressivo, de extremo bom gosto, que ficou ainda melhor na reestilização de 2013, quando o New Fiesta ganhou nacionalidade brasileira, alinhando-se à nova identidade visual da Ford. Em contrapartida, junto com a nacionalização veio um padrão de qualidade muito inferior ao do Fiesta mexicano, notado principalmente no acabamento externo, com vãos irregulares. Por dentro, o acabamento está longe de ser esmerado, porém não desaponta, com materiais de boa qualidade e sem maiores problemas de encaixe das peças. Entretanto, o Fiesta se mostrou bom o suficiente para esquecermos da qualidade de montagem.

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A excelente posição de dirigir, baixa e com bancos que abraçam o corpo, reflete a personalidade do carro, que tem uma pegada mais esportiva e é feito para quem gosta de dirigir. De início, o excesso de botões no painel pode parecer confuso, mas dá para assimilar rapidamente o funcionamento dos equipamentos. O nível de itens de série da versão SE 1.6 é ótimo, o carro vem muito bem recheado, trazendo ar-condicionado digital, direção elétrica, vidros elétricos nas quatro portas com “one touch”, travas e retrovisores elétricos, sistema multimídia Sync com CD Player, entradas USB e auxiliar e conexão Bluetooth para streaming de música e telefone viva-voz com comandos no volante, rodas de liga leve aro 15” com pneus 195/55, faróis de neblina, 2 airbags, freios ABS com EBD, controles de estabilidade e tração (ESC e TCS), alarme volumétrico, computador de bordo, entre outros.

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O Sync se mostrou bastante útil e fácil de usar, mas sua telinha monocromática de 3,5” passa vergonha diante de sistemas mais modernos oferecidos pela concorrência, em especial o My Link da Chevrolet. Para contornar essa desvantagem, este ano a Ford passou a disponibilizar como acessório para as linhas Fiesta, EcoSport e Focus uma central multimídia com tela touch de 7”, que além das funções já presentes no Sync, integra navegador GPS, TV digital, DVD e suporte para câmera de ré. O acessório é vendido nas concessionárias por exagerados R$ 3.500, valor que não inclui a mão de obra da instalação e ainda pode variar dependendo da concessionária.

Fiesta (1)

Quando você começa a dirigir o New Fiesta, passa até a relevar a portinhola do bocal do tanque desalinhada. O comportamento é exemplar, sua dirigibilidade é prazerosa e transmite segurança até em alta velocidade. Todos os seus sistemas são dignos de elogios. A suspensão faz do carro um devorador de curvas e ao mesmo tempo garante bom nível de conforto de rodagem, a direção é extremamente precisa e obediente e os freios respondem prontamente em qualquer velocidade. Ao volante, a sensação é de estar ao comando de um modelo médio.

Fiesta (3)

O motor 1.6 16v TiVCT entrega até 130 cv e 16,2 kgfm, garantindo ótima disposição ao hatch de 1153 kg, que acelera com vontade quando solicitado. Outra vantagem deste motor está no sistema de partida a frio Easy-Start, que dispensa o tanquinho. O consumo é proporcional à sua empolgação, ou seja, pode secar os 51 litros do tanque rapidamente se você gosta de testar os limites do carro ou pode ir longe se o acelerador for tratado com delicadeza.

O câmbio PowerShift de 6 marchas é capaz de deixar qualquer motorista mal-acostumado com tanta comodidade, com recursos como o Creeping, que simula o arrasto ao soltar o freio dos automáticos convencionais, ajudando nas manobras e no trânsito pesado, e o Assistente de Partida em Rampa, que segura o carro por alguns segundos após liberar o freio, evitando que o carro desça ao sair de ladeiras íngremes. O modo Drive procura manter as rotações mais baixas, priorizando conforto e economia, enquanto o Sport explora melhor a força do motor. Em geral, as trocas são feitas de forma rápida e suave. Quando as trocas são feitas manualmente, dá até para usar freio-motor e evitar trocas automáticas indesejadas, sendo possível segurar a marcha até o giro cortar ou cair muito.

Fiesta (11)

Mas nem tudo é perfeito. Em vez dos estranhos botõezinhos na alavanca, poderia ter borboletas atrás do volante para as trocas manuais, ou ao menos um deslocamento no final do trilho, para trocar as marchas com toques na alavanca. Quando essas trocas manuais são feitas, a marcha demora alguns instantes para entrar, fazendo o bom e velho câmbio manual deixar saudades. Em trajetos urbanos, às vezes o sistema fica indeciso e dá alguns trancos. E ao trafegar em pisos ruins a transmissão emite o tal “barulho de caixa de ferramentas”, defeito comum à outros automatizados de dupla embreagem a seco, como VW Golf TSI e Audi A3. Para quem preza mais pela esportividade do que pelo conforto, economizar R$ 4.400 e ficar com a versão manual pode ser uma boa ideia.

Fiesta (5)

Se você precisa levar mais do que duas pessoas e bagagens, é melhor pensar em outro carro. O espaço no banco traseiro é limitado, com seu entre-eixos de apenas 2,49 m, assim como o porta-malas, de 281 litros. Mas, para você dirigir sozinho ou com mais uma pessoa, é um carro bem afiado, capaz de agradar e até surpreender motoristas exigentes, já que a dirigibilidade não deve nada a muitos modelos médios. É um carro para entusiastas, gente que quer mais que um mero meio de transporte e preza pelo prazer de dirigir.

Atualmente, o maior defeito do New Fiesta, em qualquer versão, é o preço. O valores vão de R$ 42.990 (S 1.5 com pintura sólida) a R$ 61.260 (Titanium 1.6 PowerShift com pintura metálica). Um modelo igual ao avaliado, SE 1.6 PowerShift Prata Dublin, sai por R$ 54.919, valor que em 2013 era suficiente para comprar a versão top ou até mesmo o antigo Focus GLX 1.6, que era muito mais bem montado que os atuais Fiesta, EcoSport e Focus. Com a chegada do Novo Ka ao mesmo tempo em que o velho Fiesta Rocam se aposenta, vamos ver se o New terá fôlego suficiente para manter o nome Fiesta na lista dos mais vendidos.

Texto e fotos: Rafael Susae

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