quinta-feira, 28 de abril de 2016

Pregar no deserto [Alta Roda]


Fotos | Latin NCAP - Flickr 

De fato é uma pena o Programa de Avaliação de Veículos Novos para a América Latina e o Caribe (conhecido pela sigla Latin NCAP) insistir em distorções e “condenações” injustificáveis. Apesar de apoiado por ONGs internacionais e de fundação de filantropia como a Bloomberg, falta às vezes certo grau de seriedade. Na realidade sempre fica uma pergunta sem resposta: o que o consumidor brasileiro tem a ver se na Colômbia ou no México os respectivos mercados locais compram um determinado modelo sem os mesmos equipamentos de segurança oferecidos de série no Brasil?

O voluntarismo frequentemente irresponsável do Latin NCAP vem de sua origem europeia. Lá existe um bloco econômico e político de 28 países com livre circulação de carros e pessoas. Querem porque querem repetir aqui o que aconteceu lá, sem avaliar implicações econômicas e técnicas. São realidades bastante diferentes. Quando o Latin NCAP começou a atuar em 2010 já existia lei no Brasil que obrigava a adoção de bolsas de ar em todos os veículos em 2014. A entidade achava possível abreviar a exigência com seus testes de colisão filmados e, claro, foi ignorada.


Basta ver exemplos nos EUA. Em 2014 concedeu-se prazo de quatro anos para obrigatoriedade de câmera de ré em razão de veículos de maior porte daquele mercado. Esse país também tornou compulsório, antes da União Europeia, o controle eletrônico de estabilidade (ESC, em inglês). E acaba de anunciar um grande acordo entre o órgão de segurança viária oficial, a entidade lobista das seguradoras e 22 fabricantes (representam quase 100% das vendas) para introduzir em 2022 o dispositivo de frenagem automática de emergência até 30 km/h.


Vários modelos europeus, até subcompactos, e mesmo americanos já trazem esse dispositivo de série. No entanto, se não houvesse essa adesão voluntária, a obrigatoriedade por lei, nos EUA, só ocorreria em 2025. Isso não inclui a frenagem antiatropelamento por sua complexidade e custo elevado. Então o Latin NCAP deveria parar de pregar no deserto e assumir pragmatismo.


Em 2015 o Brasil exigiu o ESC nos projetos novos a partir de 2018 e, em 2022, para todos os modelos à venda. Está na lei e não mudará. A entidade tem direito de exigi-lo para um veículo receber as cinco estrelas máximas em seus atuais protocolos. Mas daí a retirar uma provável nota máxima da nova picape Ranger, por exemplo, rebaixando-a de cinco para três estrelas só porque em outros países da região o sistema ESC não é previsto em lei ou os compradores não estejam dispostos a pagar por ele, realmente perde qualquer sentido.


Também se um modelo chinês, importado por qualquer país sul-americano, só alcança zero-estrela no teste de colisão também gera interesse zero para o comprador brasileiro. Perda de tempo.


A Proteste, parceira brasileira do Latin NCAP, afirma que o ESC acrescentaria “apenas R$ 180,00” a um veículo. Mas preço de custo não se confunde com o de venda, além de tempo e dinheiro para testes longos e homologações para cada modelo. Ou seja, dar palpite ou jogar para plateia leiga sobre assuntos técnicos abala mesmo qualquer credibilidade que se queira conquistar.


RODA VIVA


ENGENHEIRO Antônio Megale, novo presidente da Anfavea para o período 2016-2019, afirma não conhecer o destino do programa Inovar-Auto que termina em 2017 e nem quais marcas vão se habilitar este ano para superar o limite compulsório de eficiência energética. Cita como mais importantes estímulos aos centros de pesquisa no País e redução de consumo.


TOYOTA, mesmo sem mudar externamente o Etios 2017 (apenas novas rodas de liga leve), decidiu apostar na evolução mecânica. Motores de 1,3 L e 1,5 L, agora fabricados no Brasil, ganharam maior taxa de compressão (13:1), outros aperfeiçoamentos e mais potência: 98 cv e 107 cv (etanol), respectivamente. Estreiam câmbios automático (4 marchas) e manual (6 marchas).


MUDANÇA do quadro de instrumentos melhorou sua visibilidade e o isolamento acústico é superior, em uma primeira avaliação. Fábrica afirma que efetuou mais de 600 mudanças no Etios desde o lançamento em 2012 e oferece o modelo compacto automático mais barato do mercado: R$ 47.490. Preços vão de R$ 43.990 (1,3 L, manual) a R$ 60.295 (1,5 L, automático).


BRASIL volta a exportar automóveis para os EUA. Embora seja operação específica de 10.000 BMW X1 até o final do ano para atender à procura aquecida deste modelo que a Alemanha não pode atender, tem significado importante para a fábrica catarinense do grupo em termos de imagem e qualidade. Desvalorização do real frente ao dólar, claro, deu ajuda de peso.

ESTUDO do Sindipeças sobre a frota brasileira de veículos (cerca de 42 milhões, sem incluir motocicletas) indica que a idade média voltou a envelhecer em 2015, depois de atingir 8,5 anos em 2012. A tendência é voltar ao patamar de 10 anos no final de 2016, o que torna ainda mais urgente a necessidade da inspeção técnica em automóveis com quatro ou mais anos de uso.

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br), jornalista especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística e de comunicação. Sua coluna automobilística semanal Alta Roda começou em 1º de maio de 1999. É publicada em uma rede nacional de 98 jornais, sites e revistas. É, ainda, correspondente no Brasil do site just-auto (Inglaterra).

Porsche apresenta 718 Cayman no Salão de Pequim


Há alguns meses, explicamos no Auto REALIDADE os motivos que fizeram a Porsche adotar a numeração "718" para o Boxster reestilizado. Agora é a vez do Cayman dar o ar de sua graça no Salão de Pequim (China), sempre com motores turboalimentados, assim como o 911. O modelo de entrada (fotos abaixo) possui um compacto motor 2.0, mas que rende 300 horsepower e 37,3 kgfm de torque (na China, haverá uma versão com fôlego contido a 250 HP e 30,4 kgfm). Enquanto o modelo de entrada chinês acelera de 0 a 100 km/h em 5,4 segundos e chega a 260 km/h, o 718 Cayman cumpre a prova de 0 a 100 km/h em 4,7 segundos e atinge 275 km/h.

Já o 718 Cayman S contará com motor 2.5 de 350 horsepower e 41,2 kgfm de torque entre 1900 e 4500 rpm. Esta versão acelera de 0 a 100 km/h em 4,2 segundos e chega à velocidade máxima de 285 km/h.


Externamente, o 718 Spyder traz novos elementos, como faróis e lanternas escurecidos com LEDs, novas entradas de ar, saída de escape central e para-choques remodelados, assim como o Boxster.


O interior traz novidades: porção superior do painel redesenhada, Sport Chrono Package, seletor de modos de condução (Normal, Sport, Sport Plus e Individual), sistema multimídia Porsche Communication Management de série (com integração Bluetooth e sistema de som de 150 Watts), trazendo como opcionais entrada USB e espelhamento da tela de smartphones compatíveis com Android Auto e Apple CarPlay, incluindo o aplicativo Porsche Car Connect App, GPS com comandos de voz e informações de tráfego em tempo real, entre outras funcionalidades.



O Porsche 718 Cayman estará disponível na Alemanha a partir de 24 de setembro; na China, o esportivo tem chegada prevista para 3 de dezembro.

Chevrolet convoca Trailblazer para recall dos airbags de cortina


Proprietários de 7968 unidades do utilitário Chevrolet Trailblazer, fabricados entre 16 de abril de 2012 e 26 de novembro de 2015 (modelos 2013, 2014, 2015 e 2016) estão sendo convocados para a substituição dos airbags de cortina, uma vez que as espumas existentes no forro de teto e nas colunas laterais podem afetar a abertura completa das bolsas infláveis, reduzindo a proteção aos ocupantes e gerando risco de lesões físicas. Os demais airbags, por sua vez, seriam deflagrados normalmente.

O tempo estimado para a execução do serviço é de 30 minutos.

Chassis envolvidos

De DC400034 a GC416790

Maiores informações

0800 702 4200

Audi retoca e amplia conteúdo de A6 Sedan, Avant e A7 Sportback


A linha média-grande da Audi, composta por A6 Sedan, A6 Avant (station wagon) e A7 Sportback passa por discretas atualizações visuais e de equipamentos. Externamente, a grade "Singleframe" está mais angular e os para-choques e saias laterais estão mais incorporados à carroceria. Há dois novos estilos de rodas para a linha A6, e a cor Java Brown, antes restrita à versão aventureira allroad, agora é aplicável a todos os modelos. Já as tonalidades Matador Red e Gotland Green são novas.


Internamente, o principal destaque está no sistema multimídia MMI, que passa a contar com espelhamento da tela de smartphones compatíveis com Android Auto e Apple CarPlay, além de carregador de bateria indutivo e, como opcional, dois tablets removíveis, posicionados atrás dos bancos dianteiros. A boa nova é que, na Europa, a Audi não irá reajustar os preços dos modelos base com as modificações.


A perua A6 Avant traz em sua versão aventureira allroad quattro o pacote Advanced, disponível com todas as motorizações do modelo. Este kit inclui rodas de 20 polegadas, pintura Soho Brown, bancos com estilo esportivo revestidos em couro Valcona, detalhes aluminizados e tapetes de veludo.


O design do A7 Sportback permanece o mesmo, mas agora há três novas opções de estilos de rodas e as novas cores também aplicáveis ao A6. Como nos demais modelos, o interior traz novos focos de luzes em LED.


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Volkswagen revela T-Prime GTE Concept em Pequim


Que os utilitários esportivos são a bola da vez no mercado automotivo, todo mundo já sabe. A Volkswagen acredita que o segmento de SUVs de grande porte estará em franco crescimento entre 2017 e 2023, projetando crescimento de mercado de 18% na China e até 26% na Europa e Rússia. E as linhas do futuro utilitário da VW que sucederá o Touareg estão explícitas no carro-conceito T-Prime GTE, apresentado no Salão de Pequim (China).


Com conjunto mecânico híbrido, o T-Prime GTE traz motor 2.0 TSI (turbinado e com injeção direta de combustível) que, sozinho, gera 248 horsepower e 37,7 kgfm de torque; aliado ao conjunto elétrico, a força total entregue é de 375 horsepower e nada menos que 71,3 kgfm de torque. Assim, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em 6,0 segundos e atinge a velocidade máxima de 223 km/h. Além disso, é possível rodar até 50 quilômetros apenas com a energia das baterias.


O design segue influências de outros conceitos de utilitários da Volkswagen, como o conversível T-Cross Breeze e o Cross Coupé GTE, adotando faróis incorporados à ampla grade, vincos bem definidos por toda a carroceria (pintada na cor Beihai Blue), rodas de 22 polegadas com pneus de perfil 285/40 e lanternas que trespassam a tampa do porta-malas. Construído sobre a arquitetura modular LMB, o T-Prime GTE possui 5,07 metros de comprimento, 2,00 metros de largura e altura de 1,71 metro.


Internamente, o conceito é dominado por telas de alta definição e superfícies sensíveis ao toque, até mesmo para a operação do câmbio automático de 8 marchas. O quadro de instrumentos Active Info Display, de 12 polegadas, exibe as principais informações para o motorista, enquanto a tela central curva de 15 polegadas pode ser comandada por gestos, toques ou comandos de voz. Atrás dos assentos dianteiros há dois tablets com telas de 10,1 polegadas. Em meio a tantos monitores, o teto solar panorâmico é um convite a contemplar a natureza.


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